Grande
homem e grande Papa
O Papa João Paulo II é uma das figuras mais
marcantes da história recente, na Igreja e no mundo, e tem atrás de si a herança de um
longo Pontificado de 26 anos e meio. Ordenado sacerdote em 1946, é escolhido para Cardeal em Maio de
1967. No dia 15 de Outubro de 1978, o Cardeal Karol Wojtyla é eleito como novo Papa, o
primeiro papa não-italiano desde 1522, ano da eleição do holandês Adriano VI. O Papa que veio do Leste recebeu uma Igreja presa na tensão
entre os avanços do Concílio e a perda de identidade perante a modernidade. Desde o
início, João Paulo II pediu não tenhais medo e fala na primeira pessoa do
singular em vez do plural: esta afirmação de identidade vem acompanhada de uma
experiência histórica notável, atravessando guerras mundiais e a vivência sob um
regime comunista, que fala ao coração de milhões de pessoas. A enorme produção doutrinal do Papa deve, pois, ser lida à
luz da necessidade de dar respostas pastorais a um mundo em mudança. João Paulo II
sempre foi capaz de definir etapas mobilizadoras da Igreja e do mundo, na busca de uma
identidade forte visível na devoção mariana e na formulação de um todo
doutrinal que fosse capaz de sustentar o diálogo com outras confissões
religiões. A sensibilidade para as implicações na sociedade da acção da
Igreja não inviabilizou que o Pontificado tivesse dado prioridade à acção pastoral,
mesmo sem secundarizar a política. A ideia, explícita logo desde a primeira encíclica,
é recentrar a mensagem cristã em Jesus, que revela ao homem o seu destino e a sua
dignidade. |
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Muitos falam de um Papa político, alguém que lutou
abertamente contra os regimes comunistas de Leste desde a sua primeira viagem à Polónia
em 1979 e contra o capitalismo reinante na sociedade ocidental. A Igreja é desafiada a
resistir, anunciar e mudar: os apelos do Papa em favor do Terceiro Mundo percebem-se
melhor à luz destas premissas.
Com o final da guerra fria, os medos da humanidade viram-se hoje
para a guerra das civilizações, confrontos com motivações religiosas entre o mundo
árabe e o Ocidente. O papel de João Paulo II, mesmo aos 83 anos, voltou a ser
fundamental. A campanha contra a guerra no Iraque é o acto que simbolicamente congrega as
iniciativas e apelos de paz de João Paulo II ao longo dos últimos 26 anos, nascidos da
convicção de que o respeito pelos direitos humanos é o único caminho para os povos.