Viagem do Papa à Turquia

De 28 de Novembro a 1 de Dezembro está prevista a viagem apostólica de Bento XVI à Turquia. Esta visita do Papa a um país de confissão islâmica, embora laico, coincide com um momento de choque entre as duas maiores religiões do planeta.

A viagem faz-se a convite do Presidente da República, Ahmet Sezer, formalizado já em Setembro de 2005, para que o Chefe da Igreja Católica "possa tomar pessoalmente conhecimento do clima de tolerância cultural" do país.

Mas não vai ser tolerância que o Papa vai encontrar. O clima de intolerância para com os cristãos agravou-se desde 2005, especialmente após a publicação das caricaturas de Maomé nos meios de comunicação ocidentais. 

Acusados de praticarem proselitismo (conversões forçadas) entre os muçulmanos, os sacerdotes católicos são alvo de difamação pública e temem pela sua segurança. São cada vez majs frequentes os casos de violência contra o clero na Turquia. O recente discurso de Bento XVI na Universidade de Ratisbona veio ainda incendiar mais o ambiente muçulmano.

Em Outubro um procurador do Ministério Público acusou formalmente dois convertidos ao cristianismo, Hakan Tastan (37 anos) e Turan Topal (46), de "insultarem a nação turca", incitarem ao ódio contra o Islão e recolherem dados para promover um curso por correspondência sobre a Bíblia. Nos últimos 16 meses, 97 cidadãos turcos compareceram em tribunal para responder a alegadas violações do controverso art. 3010 do Código Penal turco que restringe a liberdade de expressão.

A União Europeia (UE) voltou a pedir recentemente ao Governo turco que revisse ou retirasse este artigo, que proíbe "insultos à nação turca", do Código Penal. Após o pedido de adesão da Turquia à UE, a Comissão Europeia colocou ao Governo de Ankara várias condições prévias, entre as quais o reconhecimento da liberdade de religião e a necessidade de alterações legislativas que não sejam discriminatórias para as minorias religiosas não muçulmanas.

Tem havido vários protestos contra a visita do Papa. Todavia, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros turco, Namik Tan, assegurou que o seu país tudo fará para que a visita papal seja um sucesso e exemplar para a melhoria das relações entre cristãos e muçulmanos.

Esperemos que seja assim.