A Paixão de Cristo hoje

A Semana Santa ou Semana Maior, em que vamos entrar, deve ser ocasião para meditarmos. Sabemos que nela se viveu o drama maior da humanidade e que esse drama continua bem vivo no nosso tempo.

Poderá pensar-se que se fosse hoje ou se fôssemos nós nada disto aconteceria. Assim pensava Clóvis, rei dos Francos. Ao ouvir a narração da Paixão, exclamou: «Ah, se eu estivesse lá com os meus soldados, não teria permitido tal!»

Mas na verdade o nosso mundo continua a matar os inocentes.

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E todos nós nos podemos rever nos personagens que se movem em torno da Paixão: Judas (e quantos judas não aparecem hoje a trair os inocentes!), Pilatos (quantos não lavam as mãos perante as desgraças dos outros?), Pedro (quem não é cobarde na fé, quem não tem momentos de entusiasmo e de negação?). Oxalá nos identificássemos mais com Verónica ou com Maria, firmes junto à cruz! Ou mesmo com Cireneu, que ajudou Cristo a levar a cruz.Jesus, como diz Pascal, continua em agonia até ao fim dos tempos em todos aqueles que sofrem.

E o sofrimento continua: guerras sem fim como as dos judeus e muçulmanos; tribos contra tribos; povos contra povos; fome que continua a crescer no mundo; doenças que poderiam ser tratadas; injustiças sem fim.

Porém a cruz não foi o fim. Não foi derrota mas vitória.

É inseparável o mistério da Paixão e Morte, do mistério da Ressurreição. Paixão, morte e ressurreição são a totalidade do mistério pascal. Foi assim em Cristo. É assim em nós. Se com Cristo sofrermos e morrermos, com Ele viveremos uma vida nova para sempre!