Notas de reflexão
| O terrível maremoto de 26 de Dezembro
propicia-nos uma reflexão, que iremos fazer em alguns pontos. 1. Nunca um acontecimento despertou um tal caudal de emoção. É certo que foram muitos os países atingidos, mas o efeito deve-se sobretudo ao impacto dado pelos meios de comunicação social. Houve já acontecimentos que causaram mais mortos, como foi o caso da guerra civil do Ruanda e outros, mas passavam-se lá longe. Este passou-se na nossa frente e ainda por cima com gente dos nossos países. Os historiadores calculam que, em 1755, o sismo de Lisboa, seguido de maremoto ou tsunami como hoje está na moda dizer, tenha matado cerca de setenta mil pessoas e destruído grande parte da cidade. E no entanto as ajudas internacionais foram poucas e tardias, e mesmo na colónia de Macau a notícia chegou com um ano de atraso. |
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2. As pessoas e os governos, quase todos, abriram os cordões à bolsa, a ponto de a organização «Médicos Sem Fronteiras» pedir que não lhe enviassem mais dinheiro, pois o recebido nos primeiros dias chegava e sobrava para levar a bom termo a sua presente missão.
Isto ajuda-nos a pensar que se se fizesse uma campanha mundial bem feita de ajuda aos cerca de 850 milhões de esfomeados do mundo, o problema seria grandemente resolvido.
3. Ninguém está livre de um acontecimento desta envergadura o atingir. Ricos e pobres estão sujeitos a uma calamidade. Na desgraça não há acepção de raças ou de credos. Todos somos feitos da mesma massa e pisamos a mesma Terra. Procuremos o que nos une e demos menor atenção ao que nos separa.
O Oitavário pela União das Igrejas, que se realiza todos os anos de 18 a 25 de Janeiro, é uma boa ocasião de pedirmos a Deus que ajude os povos a encontrar o caminho da unidade e da fraternidade.
M. V. P.