Natal na vida pública

As agências espalharam a notícia. Uma escola de Espanha proibiu os festejos de Natal. Nem canções nem presentes. Este ano não haverá festejos natalícios na escola Hilarion Gimeno, em Saragoça, Espanha. O estabelecimento de ensino público assim o decidiu porque – dizem – não quer correr o risco de incomodar crianças que professem outras religiões que não a católica.

A democracia de alguns é assim: não se ouvem nem alunos nem famílias. Quem sabe o que deve ser feito são eles. E mais, quem manda são eles.

O mais hilariante é promoverem na escola pública festas como a das bruxas (o halloween)! Uma festa que culturalmente nada tem a ver connosco… Mas porque esta festa não é cristã e até se opõe a muitos princípios cristãos… esta sim… pode ser publicitada e vivenciada na escola, dando em alguns casos até direito a folga para actividades extra-curriculares…

Mas não é só nas escolas públicas que isto está a acontecer. O Arcebispo de York, John Sentamu, um membro proeminente da Igreja Anglicana, citou a decisão, tomada há 8 anos atrás pela câmara de Birmingham, na Inglaterra central, de mudar o nome ao Natal (em Inglês, "Christmas") para Invernal (Winterval), para evitar que pudesse ser ofensivo para outros. Disse também que, nessa altura,o bispo de Birmingham, Mark Santer liderou uma campanha, apoiada por outras religiões, para que a câmara mudasse de ideias.
Para além disso apontou o exemplo dos cartões de Natal oficiais que apenas desejam "Uma Quadra Festiva", bem como a figura do Pai Natal nos selos em vez do Menino Jesus.

No século passado foi o comunismo que quis eliminar à força a religião, agora são os laicistas que querem fazer o mesmo, embora quase sempre dum modo mais diplomático. Esta erosão sistemática é subtil, com mudanças menores que gota a gota deitam abaixo séculos de herança e identidade cristãs. A retirada de símbolos religiosos de edifícios públicos ou a proibição desses mesmos símbolos nas vias públicas têm esse objectivo.

Mas uns e outros passam e as tradições religiosas irão permanecer. Basta ver o que aconteceu em Portugal em 1910 com a implantação da República. Afonso Costa chegou mesmo a declarar que a religião acabaria em menos de duas gerações. Passado um século, outros ainda andam às voltas para acabar com ela.

                                                                                                                                                                                          M. V. P.