Ser mulher

Longe vai o tempo em que mulheres , no Ocidente, lutavam pelo direito ao voto. Distante está também o tempo do feminismo. No entanto muitas mulheres continuam a ser vítimas de situações gritantes de injustiças, podendo dizer-se que «neste século XXI as coisas mudam... mas muito pouco».

A denúncia consta da Mensagem do Movimento Mundial dos Trabalhadores Cristãos (MMTC) para o Dia Internacional da Mulher que se assinalou no passado dia 8 de Março.

O Movimento prova as suas queixas com um rol de factos: «Na maior parte dos países, a trabalhadora tem um salário 10 a 30 % inferior ao do homem, para um trabalho igual.

No Brasil, na metalurgia, as mulheres executam trabalhos pesados com um salário menor. Nas zonas francas, as trabalhadoras grávidas são despedidas. Na África e nos países árabes, sob pretexto da tradição, os direitos da mulher são negados: um luto prolongado impede a mulher de retomar o seu posto de trabalho; a mulher não pode escolher o seu género de trabalho. Em todos os continentes, continua a exploração da trabalhadora doméstica».

Pior ainda, um grande número de mulheres não reconhece ela própria a sua dignidade, o valor do seu trabalho e a sua capacidade de se comprometer para fazer mudar as coisas.

É provável que muitas mulheres hoje tenham uma vida mais escravizante do que antigamente, pois não só têm que criar os filhos e fazer os trabalhos domésticos, mas têm ainda de aguentar pelo menos mais oito horas diárias de trabalho por conta de outrem.

Acresce ainda que o clima de violência que se instalou nas nossas sociedades a faz vítima de maridos, de filhos, de colegas e patrões.

E no entanto são elas que estão à cabeceira do familiar doente; são elas que trabalham nas Igrejas e Grupos sociais...

São elas as nossas mães!... Se alguém merece o respeito da sociedade são elas as mulheres!

M. V. P.