Educação Moral e Religiosa

Os Bispos portugueses estão a preparar um documento com orientações gerais para a disciplina de EMRC, que prevêem alterações aos objectivos e métodos utilizados. O documento será discutido na próxima assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, em Abril.
A disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) tem o seu lugar nas escolas do país, como um "serviço que a Igreja presta à educação dos jovens". Esta convicção é a manifestada pelo presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã. "A EMRC aborda uma dimensão essencial da vida, a religiosa, e não pode haver educação se essa dimensão não estiver presente", referiu D. Tomaz Silva Nunes em declarações ao programa Ecclesia.

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Sobre as críticas à presença de uma disciplina de Religião na escola pública, o Bispo Auxiliar de Lisboa fala em "ausência de uma cultura mais profunda", defendendo a presença de uma educação religiosa junto dos jovens, "nos espaços públicos, inclusivamente na escola estatal" – na qual atinge 48% da população estudantil, como precisou.
Para o presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã, a EMRC "pretende que os alunos sejam capazes de perceber a influência da religião na cultura, para que eles se situem diante da dimensão transcendente e religiosa da vida".
"Com a disciplina queremos oferecer conhecimentos vastos sobre Jesus Cristo, sobre a história da Igreja, o seu magistério moral, capacitando-os para o diálogo ecuménico e inter-religioso", acrescenta.
D. Tomaz Silva Nunes adianta que, neste momento, essas grandes finalidades estão a ser repensadas. Com a assembleia plenária de Abril terá início "uma nova etapa da presença da Igreja das escolas através do ensino religioso escolar".
O documento irá "repensar as orientações gerais, as finalidades da disciplina e, ao mesmo tempo, procurará sensibilizar os professores, os pais, os párocos". A revisão dos actuais programas, por outro lado, tomará estas novas orientações como "ponto de referência", para que exista "uma base de permanência".
Os actuais programas estão em vigor há 15 anos, precisando de alterações que permitam, por exemplo, "introduzir o conceito de competência, que entretanto foi apresentado às escolas" e um "eixo vertical de conteúdos de natureza teológica". Há ainda uma série de temáticas, ligadas à vida, à paz, à liberdade, à educação para a sexualidade e a ecologia "que precisam de ser actualizados", também nos manuais.