Fundador do "Amigo"
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Como oportunamente noticiámos, "O Amigo do Povo" fez 90 anos, no passado dia 5 de Novembro. Aproveitando a efeméride, e porque o Homem que foi a sua alma faria 125 anos no próximo dia 27 deste mês, queremos homenagear neste número o Cónego António Martins Madeira. Quando em 1916, o então Bispo de Coimbra, D. Manuel Luís Coelho da Silva, fundou a Liga da Boa Imprensa, logo encarregou dois Padres de dirigir e administrar o seu órgão – "O Amigo do Povo". O Padre Maximiano de Almeida foi nomeado director e o Padre Martins Madeira, administrador. A este se deve todo o trabalho de contactar os párocos para arranjar assinantes e colectores que se encarregassem de o fazer chegar ao maior número possível de pessoas e com pouca despesa. Logo aí se viu a capacidade organizativa deste homem, a quem se deve a enorme expansão deste pequeno jornal. |
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Mas não se ficava pela administração. Já então escrevia a crónica semanal AO CALOR DA FOGUEIRA/À SOMBRA DO CASTANHEIRO, para além de dar uma mão na redacção. Poucos anos depois assumiria também a direcção deste mesmo Jornal onde se manteve até morrer, o que aconteceu a 4 de Maio de 1961.
Mas quem é esta grande Figura do Clero de Coimbra?
Nascido em Gavinhos de Baixo, freguesia de Oliveira do Hospital, em 27 de Novembro de 1881, entrou ainda criança para o Seminário de Coimbra, onde foi ordenado Presbítero em 4 de Maio de 1904. Foi dois anos professor no Colégio de S. Pedro e outros dois director do Colégio dos Órfãos da Misericórdia de Coimbra.
A greve académica de 1907 encontrou-o matriculado na Faculdade de Teologia da Universidade. O então vice-reitor do Seminário, Cónego José Alves Mattoso, pediu-lhe que o viesse ajudar como professor e prefeito. Leccionou Francês, Ciências Naturais e Geografia. E ajudou a remodelar toda a vida do Seminário. O Senhor Bispo Emérito de Aveiro, D. Manuel de Almeida Trindade, conta nas suas "Memórias de um Bispo" que pediu conselho ao Cónego Martins Madeira antes de aceitar ser Vice-reitor do Seminário, logo aos 23 anos. E transcreve a carta que o então director de "O Amigo do Povo" lhe fez chegar. Nela se notam as grandes qualidades humanas que caracterizavam o nosso Cónego Madeira.
Segundo informação do sobrinho, Dr. Luís Carlos Coelho Martins, o trabalho com a administração do Jornal chegava muitas vezes aos próprios familiares. Sobretudo em Setembro, quando ia passar um mês à Terra Natal.
Foi assim que "O Amigo" conseguiu entrar em grande número de casas das famílias da Diocese.
M. V. P.