Liberdade religiosa

Noticiaram os jornais que a polícia religiosa da Arábia Saudita prendeu quatro cristãos, após os ter surpreendido a rezar, em privado, numa casa particular. Esses cristãos continuam presos, pois o governo saudita proíbe a prática de qualquer religião que não seja a muçulmana.

São muitos os países que ainda hoje coarctam a liberdade de religião, o que é deveras estranho. Sobretudo em governos com relações amigáveis com os Estados Unidos e Europa. Isto mesmo nos diz o Relatório 2006 sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, há dias dado a conhecer pela Fundação "Ajuda à Igreja que Sofre".

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O relatório aborda a situação em 190 países ao nível dos direitos constitucionais e da legislação nacional em matéria religiosa e foi elaborado com base em testemunhos de representantes religiosos, documentos oficiais, dados de agências noticiosas internacionais e organizações de defesa dos direitos humanos.

Os extremismos da perseguição por motivos religiosos e das violações à liberdade de culto encontram-se referenciados ao longo de todo o relatório, que indica a ocorrência de assassinatos, atentados, sequestros e detenções de representantes religiosos ou de crentes.
Rogério Alves, bastonário da Ordem dos Advogados, que o apresentou, considera importante que se faça "uma leitura atenta e uma reflexão ponderada" sobre os casos nele referidos, lembrando que em muitas zonas do mundo "não se respira liberdade".
Da leitura do relatório sobressaem, de facto, situações que o Bastonário classifica como "kafkianas", com prisões arbitrárias, tortura e casos de pessoas como o de uma senhora que, aos 96 anos, está na cadeia sem saber porquê. Rogério Alves não deixou de se manifestar chocado pela "brutalidade" com que algumas pessoas são torturadas por causa da sua fé.
O volumoso relatório foi dividido por continentes e aponta os países onde aconteceu "algo de relevante" neste âmbito, como, por exemplo, na China, na Coreia do Norte, no Vietname, na Nigéria, no Sudão. O fundamentalismo islâmico e os países comunistas são apresentados como os "pontos negros" da liberdade religiosa.

                                                                                                                                                                  M. V. P.