Os fantasmas do laicismo

Disseram os jornais que tem havido vários grupos de pessoas a protestar contra a reintrodução curricular da disciplina de Religião e Moral no 1.º ciclo. O que não disseram foi que o Ministério da Educação apenas repôs o que vigorava até Janeiro de 2001.

Dizem essas pessoas que as crianças de outras religiões ou sem religião são discriminadas porque são poucas e não têm possibilidade de outras actividades no tempo das aulas de Religião e Moral. Se isso é verdade, o contrário também o é, porque se as aulas forem dadas após o encerramento das actividades curriculares, muitos ficarão sem possibilidade de nelas participar.

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Em democracia, devem respeitar-se as minorias mas as maiorias também não podem ser prejudicadas. Que as crianças não inscritas na Religião e Moral Católicas tenham acesso a uma outra actividade, de acordo. Mas a lei faculta a Religião e Moral a todas as religiões e decerto a Moral ou como lhe queiram chamar, aos sem religião. Porque não aparecem pessoas a preencher esses tempos? Porque ninguém lhes paga?! E quem paga aos católicos?...

O Estado tem praticamente o monopólio no Ensino, sobretudo no 1.º ciclo. Por isso tem obrigação de respeitar o desejo da maioria dos portugueses. E a maioria tem pedido a aula de Religião e Moral. Se o estado não é religioso, cumpre-lhe, no entanto, não ser a-religioso e muito menos anti-religioso.

Talvez uma solução para estes desaguisados laicistas fosse dar a liberdade de abrir escolas às Associações de Pais e a outros particulares. Com a mesma despesa, por aluno, para o estado! Assim haveria liberdade de os pais escolherem as escolas estatais ou as particulares.

Mas os laicistas não querem! Eles sabem que nesse dia perdiam as escolas e espaço para a politiquice.

M. V. P.