Indisciplina
| Oitenta por cento dos professores, de
membros dos órgãos executivos e de funcionários, consideram que a indisciplina nas
nossas escolas aumentou significativamente, constituindo a principal causa de stress e de
insatisfação dos profissionais que têm que lidar com as crianças e adolescentes.
Esta a conclusão a que chegou o estudo levado a cabo pela Federação Nacional dos
Sindicatos da Educação. Intitulado "O Estado da Educação pela voz dos seus profissionais", esta sondagem revela dados que deveriam convidar à reflexão, principalmente por parte dos pais e encarregados de educação, agentes que, levados pela correria desta sociedade actual, se furtam ao acompanhamento escolar dos seus educandos, numa atitude que, inevitavelmente, não deixa de ter reflexos aos mais diversos níveis, presentes e futuros. |
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Os dados falam por si: quatro quintos dos agentes educativos apontam a indisciplina nas escolas como estando longe de ser resolvida, tendo até piorado nos últimos anos. Os professores do primeiro ciclo são os que mais se queixam do seu aumento.
Mais de 50% dos professores inquiridos (principalmente das escolas básicas do 2.° ou 3.° ciclo) acusa a burocracia de limitar os procedimentos escolares, tendentes a impor ordem, logo seguida da falta de apoio dos pais.
Também na avaliação do ano de catequese, os meus catequistas apontaram a indisciplina como o maior problema. O que significa que este acompanha a (des)educação das camadas jovens.
Outro estudo vem dizer-nos que o número de membros de grupos juvenis violentos, em Portugal, terá crescido mais do dobro, nos últimos quatro anos. Em 2001, constituía um universo de 10655 jovens, segundo avança o criminologista José Martins Barra da Costa, no prefácio do livro "O Gang e a Escola", da autoria da professora Joana Barra da Costa e do oficial da PSP Sérgio de Araújo Soares. Com crimes que se têm vindo a multiplicar.
Isto vem dizer-nos que há que lidar de maneira diferente com a gente nova tanto na escola como na família. Uma sociedade com uma educação demasiado permissiva acaba por sofrer as consequências.
M. V. P.