Fome e guerra

«Uma coligação internacional contra a fome» - eis a proposta da Santa Sé, apresentada nas vésperas da cimeira mundial da FAO, que teve lugar em Roma de 10 a 13 de Junho.

Segundo Agostino Marchetto, representante da Missão Permanente de Observação da Santa Sé junto da FAO, «é necessário, indispensável e possível» eliminar a fome. Mas é fundamental abrir caminho a decisões corajosas, capazes de superar um escândalo a que o mundo já está habituado.

De acordo com o Comité da FAO para a Segurança Alimentar Mundial, «o balanço do último ano revela um aumento dos esfomeados e o acréscimo das situações que produzem insuficiência alimentar».

Para fazer frente a este problema - afirma o representante do Vaticano - «é indispensável a criação de uma aliança no campo da cooperação para o desenvolvimento, que para ser eficaz deve ser vista «não tanto como um novo compromisso, mas como uma estratégia de intervenção para eliminar a fome».

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Segundo a FAO, é preciso um investimento público adicional de 24 mil milhões de dólares nos países pobres, para reduzir para metade o número das vítimas da fome até ao ano 2015. Sem este investimento, o número de esfomeados nessa data será de 600 milhões e, deste modo, corre-se o risco de não cumprir o objectivo da Cimeira Mundial de 1996: conseguir que os 800 milhões de pessoas com fome passem a ser apenas 400 milhões.

O dossier da FAO tem uma afirmação muito explícita: «sabe-se perfeitamente o que é preciso fazer contra a fome; só falta fazê-lo»...

E uma das coisas que há que fazer é pacificar as relações entre países e grupos raciais, políticos e religiosos.

As guerras, os conflitos armados e as revoltas civis são as maiores causas da penúria alimentar.

Se se conseguisse eliminar a venda ilegal de armas ligeiras acabariam a maior parte das guerras. Este o sentido da petição entregue há dias ao nosso Presidente da República. E tinha mais de noventa mil assinaturas.

Claro que se essa venda acabar no nosso país o problema não fica resolvido. Mas talvez seja possível controlar essa venda em muitos outros países. Se esse controle é necessário também tem que ser possível.

M. V. P.