Festas religiosas populares

As festas sempre foram importantes na vida das pessoas, das famílias e das comunidades. Elas quebram a rotina do dia-a-dia, numa atitude interior de alegria, mantêm as pessoas ligadas à sua terra, são ocasião para que a família se junte e mantenha as tradições.
Para a Igreja, a grande Festa é a Páscoa, na qual se celebra a Ressurreição de Jesus Cristo, ou seja, a Sua vitória definitiva sobre a morte.
A Eucaristia é o memorial da Páscoa e, por isso, deve ter lugar de relevo. Se não se lhe dá importância, as festas populares pedem sentido.

Por vezes, os mordomos põem toda a atenção nos leilões, bailes e diversões. Apenas querem que as festas sejam religiosas para que o povo compareça e seja generoso. Por outro lado, investem quanto podem em conjuntos caros para que tenham audiência e assim os encargos sobem e tudo serve para fazer dinheiro.

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Ainda há poucos anos, as festas juntavam as pessoas do lugar e arredores, mas actualmente só se for de noite, e em número cada vez mais reduzido. No entanto, e talvez por isso, as aparelhagens gritam músicas de toda a espécie (quase sempre de fraca qualidade) para ver se atraem visitantes. Nem de noite nem de dia há ambiente para as pessoas falarem e conviverem.

No arraial ninguém se consegue ouvir. Grande parte das pessoas nem de casa saem, pois o barulho afasta-as. Mesmo os actos religiosos atraem cada vez menos gente. Há pessoas que vão à missa a outro lado e a da festa cada vez é menos procurada. Pessoas para fazer a festa não é fácil encontrar. Estas são bastante cansativas porque exigem muito trabalho para conseguir cada vez mais verbas e poucos têm vontade de perder tempo com elas. Em muitos casos é a Câmara ou a Junta ou uma Associação que as promove.

Outrora as festas eram mais simples, por isso eram populares. Não valeria a pena tentar popularizá-las de novo?

Há muitos lugares que já não promovem a Festa do Padroeiro porque não há quem ande à frente. Mas parece-me que se perde a união e o bairrismo. E com certeza também a religiosidade popular. Apesar de os padres nem sempre poderem presidir, valeria a pena solenizar a festa do padroeiro com uma cerimónia religiosa e um convívio das pessoas.