A ética cristã
| Um pouco por todo o lado, as pessoas
admiram-se da falta de respeito e civismo que grassa, sobretudo nas camadas mais novas da
população. Ouço hoje um comentador que expressa a sua desolação pelo que aconteceu com uns 20 adolescentes do Chile, que irrompem à força por entre a multidão que presta homenagem a Salvador Allende, e atiram com latas de tinta vermelha no monumento do antigo governante chileno. Chama-lhes sarcasticamente «filhos da democracia». Ele que é um homem de esquerda! Eu diria que são filhos deste mundo laicista, sem Deus e sem moral. E passo a explicar o meu ponto de vista: |
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Uma jovem muçulmana do Canadá, grande defensora de reformas no Islão, tendo viajado por muitos outros países, a propor seus altos ideais, ficou profundamente impressionada com a indiferença religiosa dos europeus.
Diz que não esperava recepção acalorada, nem por parte dos seus correligionários muçulmanos, mas o que nunca lhe passou pela cabeça foi encontrar tanto indiferentismo religioso e uma Europa tão secularizada e fechada aos problemas dos outros.
"De Amesterdão a Barcelona, de Paris a Berlim, a gente incrédula faz-me perguntas que nunca me fizeram nos Estados Unidos nem no Canadá, como é que uma mulher independente como tu, se preocupa com Deus, para que precisas tu da Religião?"
Creio bem que é esta educação sem Deus, esta atitude indiferente em relação a todas as religiões, que está na origem da falta de ética e civismo de tanta da nossa gente. Sempre ouvi dizer que o homem sem Deus se torna lobo dos demais.
Penso que educar é antes de mais dar capacidade à pessoa de se desenvolver pessoalmente e de se integrar na sociedade. E toda a sociedade possui um ethos cultural que lhe confere um carácter todo particular, e fundamenta toda a sua organização, seja ela política, social, religiosa, etc. E não é senão a partir da compreensão desse ethos, que poderemos contribuir com as novas gerações, no seu relacionamento com novas realidades que nos são propostas: o individualismo, a aceitação do outro, a cooperação, a violência ou a fraternidade.
M. V. P.