UMA NOVA ETAPA

"A história de uma Diocese, tal como a vida de qualquer pessoa, faz-se de etapas. E a entrada de um novo Bispo há-de constituir o início de uma jornada diferente"- escreve D. Albino no começo da sua primeira Carta Pastoral.

E continua:

"Jesus compara a igreja ao desenvolver de uma árvore. A árvore da Igreja não é arbusto de enfeite. Cristo a plantou no mundo para bem dos homens: os ninhos das aves e a sombra que elas procuram simbolizam a verdade que Deus nos oferece, a paz que nos invade com as certezas da fé, o amor partilhado que a comunidade crente proporciona, a vida que corre das fontes da graça.

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Ter ramos frondosos que proporcionem sombra, dar frutos que alegrem os homens e encaminhem para Deus, eis a finalidade da Igreja, eis a razão de ser de uma diocese.

A Igreja que vive em Coimbra é árvore plantada há mil e quatrocentos anos. Quantos ramos ela já deitou e fez crescer, ramos de santidade nos seus mosteiros, ramos de sabedoria nos seus colégios universitários, ramos de pregação nas encostas das nossas serras, belezas de arte nas igrejas e capelas dos nossos vales, testemunhos de fidelidade generosa nas gândaras e planícies do litoral, exemplos de amor ao próximo nos recantos de miséria e nos tempos de fome!

Árvore que cresceu, e nos últimos anos também, procurando, em resposta ao Concílio Vaticano II, abrir janelas ao mundo, actualizar o seu clero, formar um laicado corresponsável, reformar a liturgia, reestruturar o trabalho pastoral.

Estou grato a Deus pela Diocese que me é confiada. Mas seria grave pecado meu ficar-me a contemplar o passado em lugar de avançar para o futuro. A parábola avisa-me: É preciso que os ramos cresçam.

Poderá a Diocese de Coimbra continuar a crescer?

Os tempos que correm parecem ser de outono. Tomados deste sentimento, alguns de nós falam de "manter", "conservar o que temos", "trabalhar até poder"...

Respeito a generosidade e o sofrimento dos que assim pensam. Sei que Deus permite frequentemente a humilhação, o fracasso, a travessia do deserto ou o cativeiro de Babilónia. Mas quando tal acontece, é ainda de crescimento que pode tratar-se, se aceitarmos as provações como a poda dos ramos secos que Jesus referiu na alegoria da videira: "Meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que não dá fruto em mim e poda o que dá fruto, para que dê mais fruto ainda" (Jo 15, 1-2).

Que o Espírito Santo nos console e fortaleça nas provações por que agora passamos e outras que havemos de experimentar. Mas tomemos como proposta pastoral do próprio Jesus Cristo o desafio do crescimento: importa fazer crescer os ramos e ponderar, com a ajuda do seu Espírito, quais os ramos que mais precisam de crescer.

D. Albino, bispo de Coimbra

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