Espiritualidade a mais


Mais uma vez a Mensagem do Santo Padre para a próxima Quaresma, da qual deixámos alguns excertos no número anterior, nos pede para vivermos o amor fraterno: ajudarmos os pobres, os doentes, os rejeitados do mundo. Preocupar-se com as necessidades dos irmãos aqui na terra é um dever do cristão. Tudo o que é humano não nos pode deixar de interessar.

Daí que a visão duma nossa leitora que se diz "cristã" de que "Deus basta" e nos preocupemos n’"O Amigo do Povo" mais das coisas d’Ele e menos de política, pode ser muito perigosa.
A afirmação de que só Deus basta e o resto não presta é anticristã. A frase de uma santa muito estimada pela Igreja de que "Só Deus basta" não pode ser tirada do seu contexto e tem de ser muito bem entendida. A Bíblia, por meio de S. João, afirma que o que diz que ama a Deus e não ama os irmãos é mentiroso. E Jesus diz que há um segundo mandamento semelhante ao primeiro e que é amar o próximo. Isto para não falar da carta de S. Tiago que nos diz que o Diabo também tem fé e no entanto está no inferno.

Ouçamos o que nos ensina a Igreja, que é Mãe e Mestra e não nos fiquemos por uma espiritualidade desencarnada. A conversa do Tio Ambrósio com o Carlos do Cabeço, permita-nos a nossa leitora a discordância, não é uma perda de espaço do Jornal, mas uma forma graciosa de levar os seus muitos leitores à reflexão sobre acontecimentos sociais e políticos, que não nos devem deixar alheios. Se for analisar os muitos milhares de conversas "À sombra do castanheiro" ou "Ao calor da fogueira", verá que não foram criticadas apenas acções deste governo, mas de todos, seja qual for o seu quadrante político. Aliás "O Amigo do Povo" nasceu mesmo para abrir os olhos ao Povo, nos velhos tempos laicos e anticlericais.


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