Escravatura

Estou a ver, quando posso, a telenovela brasileira Sinhá Moça que fala dum assunto que sempre me interessou: a escravatura. Podemos pensar que é coisa do passado mas todos os anos milhões de pessoas continuam a ser traficadas. Umas para a prostituição, outras comercializadas «à peça» para usarem os seus órgãos para enxertos. Sem esquecer um número indeterminado de pessoas vendidas para trabalho escravo.

O tráfico de pessoas movimenta milhões. É mesmo um dos negócios mais rentáveis, a par do da droga e das armas.

A notícia, lida há dias em vários jornais, vem mais uma vez acordar-nos para esta realidade. Dizia assim:

escravatura239.jpg (71630 bytes)

«Vendas em leilão de jovens estrangeiras compradas para a prostituição têm lugar nos aeroportos britânicos», afirmou um representante do Ministério Público britânico, o Crown Prosecution Service (CPS).

«A criminalidade nos aeroportos está em alta constante e chegam a ser organizados "leilões de escravas" em zonas dos aeroportos abertas ao público pelos proprietários de bordéis que vêm procurar mulheres para as prostituir», indicou Nazir Afal, director do CPS no ocidente de Londres, na véspera de uma conferência sobre a criminalidade nos aeroportos, que se realiza em Londres.

Segundo o CPS, os traficantes vendem as jovens mulheres logo que elas chegam a solo britânico, na maior parte das vezes vindas da Europa de Leste.

Segundo os últimos números disponíveis do Ministério do Interior britânico que datam de há cinco anos, 1.400 mulheres que se prostituíam em solo britânico viviam em estado de quase escravatura.

Mas o fenómeno será de facto muito mais grave, segundo Tim Brain, comissário principal no condado de Gloucestershire e muito envolvido na operação Pentameter, uma operação policial destinada a desmantelar as redes de prostituição forçada.

As vítimas são os órfãos e os pobres desempregados e sem perspectivas de futuro. Até pais vendem os filhos porque pensam que assim irão ter uma vida melhor. Mas muitos milhões nem sequer sobrevivem.

                                                                                                                                                                                                             M. V. P.