Regresso à escola
| Quando este número de «O Amigo do Povo»
chegar às mãos dos nossos leitores, já cerca de um milhão e meio de alunos terá
iniciado mais um ano escolar. Pelo número de alunos, vê-se que o regresso às aulas tem
a ver directamente com grande parte dos portugueses: alunos, famílias, pessoal docente e
não docente, etc.. E para além destes, todos beneficiamos ou somos prejudicados com o que se passa nas escolas. É que o que se passa nestas tem sempre reflexo na sociedade. Agora e no futuro. A escola existe em função da educação dos alunos. E da sua preparação para a vida. |
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Mas parece que não consegue acertar o passo. Reformas atrás de reformas não têm resolvido o problema. Desde logo porque o aproveitamento é muito deficiente. Um quarto da população portuguesa entre os 18 e os 24 anos abandonou o sistema de ensino sem ter sequer concluído a escolaridade obrigatória. Aos 15 anos, a taxa de desistência já é de sete por cento.
Portugal é o terceiro país da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico) com maior número de jovens (47%) entre os 20 e os 24 anos fora de um sistema de ensino ou que não concluíram o ensino médio, a seguir ao México e à Turquia, indica um relatório recente.
Por outro lado parece que a escola não consegue educar para uma boa convivência social, desde logo na comunidade escolar. Um estudo apresentado por Sónia Seixas e José António Carochinho nas jornadas sobre "Violência Escolar e Saúde Infantil", feito em onze escolas da Grande Lisboa, indica que 15% dos alunos do terceiro ciclo têm ali o estatuto de agressores, outros tantos o estatuto de vítimas, enquanto 6% se situam no papel de vítimas agressivas.
Há pois um grande caminho a percorrer por todos os agentes da educação para que a escola funcione bem e seja motivadora para os que têm mais dificuldade no aproveitamento.
Há necessidade de um estudo aprofundado do problema e sua resolução. E depois era bom que todos os representantes dos interessados se sentassem a uma mesa e chegassem a alguns consensos. Para que as escolas, de uma vez por todas, cumprissem os objectivos.
M. V. P.