Portugal continua a emigrar
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O Instituto Nacional de Estatística (INE) diz que, em 2006, 30 mil portugueses fixaram residência por mais de um ano noutros países, mas a Igreja Católica diz que, no ano que agora terminou, foram mais de cem mil os cidadãos lusos a procurar emprego e melhor sorte além-fronteiras, o que corresponde a um aumento de 20 por cento em relação a 2005. Esta constatação da Igreja Católica é aprovada e até sublinhada por Manuel Carvalho da Silva, coordenador nacional da
CGTP, para quem, em matéria de emigração, "os números do INE não correspondem minimamente à realidade". |
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"É preciso não esquecer os milhares de portugueses que têm contratos sazonais, os muitos milhares que estão ilegais e os milhares que trabalham em Espanha, indo ao domingo e vindo à sexta-feira", disse Carvalho da Silva.
A Obra Católica Portuguesa das Migrações estima que só para o Reino Unido, no ano passado, tenham emigrado cerca de 40 mil portugueses, tornando-se assim, devido às vantagens cambiais, o destino preferido dos nossos emigrantes. Aliás, os últimos dados indicam que a comunidade lusa nas ilhas britânicas já deve passar as 400 mil pessoas.
"Nos últimos tempos criou-se a ideia de que Portugal tinha passado de país de emigrantes (exportador de mão-de-obra) para país de imigrantes (importador de mão-de-obra), o que não é verdade. Somos, de facto, um país de imigrantes, mas continuamos a ser também pátria de emigrantes", diz o padre Rui da Silva Pedro, sublinhando que "o aumento do desemprego e o excessivo endividamento das famílias são as grandes causas do recente aumento da emigração".