ECONOMIA EM PORTUGAL

Isto está mesmo como se diz e escreve?

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Tantas têm sido, ultimamente, as vozes de peritos nacionais, de reconhecida competência em economia e finanças, a clamarem pela mudança do nosso rumo; tantas têm sido as chamadas de atenção de organismos internacionais a advertir-nos de que a actual orientação económica acabará por levar a mau termo; várias têm sido as vozes, mesmo de membros do governo a duvidarem do caminho seguido pela nossa economia, que bastante gente, que não é perita nestes assuntos, começa a julgar que, se calhar, é assim mesmo e lá se vai a "estabilidade" porque começa a haver insegurança quanto ao futuro.

Faz impressão negativa ao povo português verificar que não somos um "País de sucesso", mas antes um País que ocupa, quase sempre, o último lugar dos países da União Europeia.

O povo português tem direito a saber a verdade sobre a situação real do País, quanto a economia e finanças, até para se preparar para tempos de maiores sacrifícios. Governar é conhecer os problemas verdadeiros, equacioná-los com acerto, depois, procurar-lhes as melhores soluções e executá-las com humanidade e, também, com firmeza, informando desta realidade com tempo e corajosamente, o povo português. A verdade, mesmo aqui, é que salva e liberta. As meias verdades ou o silêncio enganador dão sempre maus resultados.

Se a situação é como os referidos peritos nacionais e estrangeiros dizem, então, que haja a humildade para o declarar e propor novos caminhos. A verdadeira humildade, como escrevia há dias um ilustre colunista da revista do Expresso, é caminho de sabedoria para a Igreja.

E acrescento, agora, o mesmo para o governo.

                                                                                                                                                             D. João Alves, bispo emérito de Coimbra

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