Amor e vida

Hoje, dia 21 de Maio, é a Festa das Famílias da Diocese de Coimbra. Ocasião para reflectirmos uma vez mais sobre a importância desta instituição natural na vida das pessoas, sobretudo das mais novas.

Têm sido muitos os estudos feitos sobre a influência que a família tem sobre o bem-estar dos seus membros. Um mais recente dizia que uma família feliz concorre grandemente para o prolongamento da esperança de vida e para a saúde das pessoas.

Outros dizem-nos que os filhos criados em ambiente sem amor apresentam uma probabilidade três a quatro vezes maior do que as outras de virem a ser delinquentes, marginais, drogados e de enveredarem pela paternidade ou maternidade fora do casamento, com as consequências já conhecidas.

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Os filhos precisam mais de pais unidos do que da abundância de bem estar com que muitos pais querem "comprar" o coração dos filhos. No caso das famílias de poucos recursos, as crianças inquiridas preferem a miséria das suas casas vivendo com o pai e com a mãe, do que instituições estatais onde têm mais abundância, mas onde falta o carinho indispensável ao desenvolvimento harmónico de que precisam.

Não são boas as notícias que nos dão conta que Portugal foi o país da Europa dos 15 com maior crescimento do número de divórcios entre 1995 e 2004. Passou de 12.322 para 23.348, ou seja, mais 89,4%. Praticamente o dobro. O que não significa que os portugueses se divorciem mais do que os restantes europeus. Segundo dados do organismo europeu de estatísticas (Eurostat), a taxa de divórcios no nosso país foi de 0,3% em 2003, enquanto no Norte da União essas taxas chegam aos 0,6% na maioria dos países.

É preciso darmos todos – a começar pelo Estado – uma atenção maior a este problema. Está em causa o bem-estar das actuais gerações e o futuro das que se seguirão.

Não é o casamento que está em crise. Até porque quase todos os divorciados voltam a casar. O que está em crise são as relações interpessoais, os afectos e os valores da generosidade, altruísmo e fidelidade.

Muitos só pensam em si mesmos, no prazer e nos bens materiais. Esquecem-se que o que dá verdadeira felicidade é a harmonia, o amor e a consciência de que a nossa passagem por este mundo valeu a pena.

                                                                                                                                                                                   M. V. P.