Discriminação positiva

Tem-se ouvido muito ultimamente aos políticos a expressão discriminação positiva. E aplicam-na para justificar actuações diferentes conforme os casos. Uma das últimas vezes que a ouvi foi a propósito de pagamento de portagens por parte de quem reside ou não em determinadas regiões. Acontece que os partidos no governo acham que não está bem que certas auto-estradas paguem portagem e outras não. E querem fazer uma discriminação positiva para os residentes de certas zonas que não têm alternativas viáveis àquelas vias de comunicação, de modo que estes não paguem mas os que são de fora paguem.

Estamos plenamente de acordo que se tenham actuações diferentes para com pessoas em situações diferentes, desde que seja para favorecer os mais pequenos e indefesos.

Tememos porém que isso não passe de palavreado, porque sempre que alguém ousa tocar nos direitos adquiridos por qualquer classe privilegiada, é certo e sabido que as reacções não se fazem esperar.

Lemos há dias que Portugal é o 2° país do mundo onde o fosso entre pobres e ricos é maior, com 20% dos mais ricos a deterem quase metade da riqueza nacional. Portugal é também um dos países onde há maior diferença entre o leque salarial. Poucos a receber fortunas todos os meses e muitos a ganhar uma miséria.

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Gostaríamos de ver os políticos a fazerem tudo por manter inalterados os ordenados altos e a permitirem uma subida dos baixos. Esta seria uma discriminação positiva louvável.

No reinício das actividades políticas das diferentes forças partidárias gostaríamos de ouvir discursos sobre a resolução dos prementes problemas dos portugueses discriminados no acesso aos bens materiais e culturais.

M. V. P.