Desigualdades crescem
| O número de pessoas pobres continua a
crescer em Portugal. A recessão económica que se fez sentir durante o ano de 2003 em
Portugal variação negativa do PIB de 1,1% fez com que todas as 27 regiões
portuguesas tenham visto o seu PIB per capita cair nesse período em percentagem da
média da União Europeia. Entre as regiões mais desfavorecidas, a deterioração nos
resultados colocou-as cada vez mais perto das mais pobres da Europa alargada. Em 2003,
sete regiões portuguesas cerca de um quarto do total ficaram com um PIB per
capita inferior a 50% da média da UE. Em 2002, eram apenas cinco, mas no ano seguinte
juntaram-se Minho-Lima e Dão Lafões. |
|
O ritmo económico muito lento que se registou em 2004 e principalmente em 2005, deverá ter feito com que a divergência face ao resto da UE se tenha mantido nos últimos dois anos, colocando mais algumas das regiões portuguesas abaixo da fronteira dos 50%, da qual estavam já muito próximas.
A comparação de Portugal com a Espanha ao nível das regiões revela uma diferença bastante acentuada no nível de vida dos dois países ibéricos. A região mais pobre de Espanha é a de Badajoz com um PIB per capita que atinge os 63,2% da média da UE. Ou seja, quando comparada com as suas congéneres portuguesas, fica situada entre a metade mais rica.
Dentro de Portugal, os diferenciais de riqueza entre regiões são também muito
substanciais. A região da Grande Lisboa tem um rendimento per capita que é mais
de três vezes superior à da região do Tâmega. O resultado do centro urbano da capital
é ainda 67% superior ao do resultado registado na totalidade do País. Em 2002, esta
diferença era muito semelhante, situando-se em 66%.
Isto parece querer dizer que a crise de 2003 acabou por afectar o desempenho económico da
generalidade das regiões portuguesas por igual. O facto de Lisboa ser a sede de várias
empresas de dimensão nacional influencia estes resultado. Ainda assim, em comparação
com os outros países europeus onde este fenómeno também se verifica, Portugal está,
apesar da sua reduzida dimensão, entre os que registam uma maior desigualdade entre
regiões.