A Igreja e o desemprego
| O desemprego é um dos piores males da
nossa sociedade. Por um lado priva as pessoas de garantirem o seu sustento e dos que
estão a seu encargo, por outro favorece maus comportamentos e cria vícios difíceis de
ultrapassar. Por isso, a Igreja Católica está a lançar uma reflexão alargada sobre
a realidade do emprego em Portugal que culminará com a realização da Semana Social de
2006. O Cardeal Renato Martino, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, Jacques
Delors, António Guterres, Vítor Constâncio e vários outros governantes e
ex-governantes do nosso país estarão entre os convidados. |
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Sob o tema "Uma sociedade criadora de
emprego", a iniciativa da Comissão Episcopal do Laicado e Família da CEP pretende
mobilizar as dioceses e as organizações eclesiais e sociais em torno de uma questão
chave para o desenvolvimento e o bem-estar do país.
Manuel Porto, presidente da Comissão Coordenadora Nacional das Semanas Sociais,
manifestou na conferência de imprensa o seu orgulho pelo programa agora divulgado,
assegurando que a Igreja pretende "fazer ouvir a sua voz para ajudar a resolver o
problema de fundo", evitando "ver a questão pela negativa".
Perante a actualidade do tema, este responsável vinca que "o problema do desemprego
deve preocupar todas as pessoas", procurando que as conferências não se limitem a
uma perspectiva crítica.
Do programa destacam-se a intervenção de Jacques Delors sobre uma economia à medida da
pessoa, o debate sobre os modelos sociais da Europa e dos EUA, a reflexão relativa à
responsabilidade moral para com os países menos desenvolvidos, o papel da Igreja nos
vários domínios da sociedade e a formação humana como elemento fundamental para a
realização pessoal.
A Igreja pretende assim retomar uma tradição com muito peso para a "formação da
consciência social dos católicos", como lembrou Manuel Braga da Cruz, Reitor da
UCP. As Semanas Sociais foram, na sua primeira série (anos 50-60), um momento fundamental
de encontro e reflexão de várias gerações de católicos, dinâmica que a Comissão
Coordenadora Nacional quer ver recuperada.