Delinquência rima com carência
"Quase todos os jovens problemáticos têm na sua origem crianças carentes". Esta foi uma das conclusões tiradas pelo psiquiatra Pedro Strecht ao analisar o fenómeno da delinquência juvenil num livro há dias publicado, intitulado "À margem do amor". E uma recente jornada sobre "Prevenção e Tratamento das Evoluções Marginais e Delinquentes" chegou às mesmas conclusões. Quem tem alguma experiência de lidar com crianças ou jovens sabe que carência gera delinquência. São os filhos de casais desagregados ou sem amor que entram por caminhos da criminalidade. Ou então, como na Casa Pia, são estas crianças e jovens que são vítimas dos mais hediondos crimes. |
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Há anos ouvi na Rádio uma entrevista com algumas crianças filhas de famílias de risco como hoje se diz. Nunca mais esqueci o que uma dessas crianças (de uns 10, 11 anos) respondeu à pergunta do entrevistador: "O que queres ser quando fores grande?"
- Quero ser como o meu pai. Casar e ter filhos para fazer o que eu quiser e bater também na minha mulher e nos meus filhos como ele agora faz a mim e à minha mãe.
Talvez algum leitor pense que estou a inventar mas apenas reproduzo o que ouvi.
Onde não se semeia amor, não se espere colher compreensão, companheirismo e outras virtudes cívicas. Casais egoístas, onde reina a discórdia e o egoísmo, geram crianças com propensão para a delinquência. O exemplo de muitas famílias, que por tudo e por nada se zangam e se separam, está a comprometer o futuro da sociedade.
A pobreza e a falta de escolaridade são também carências que podem gerar delinquência, embora o pior seja a falta de carinho e estima. Daí que tudo o que se fizer para haver famílias estáveis e felizes contribuirá para solucionar os problemas da delinquência.
M. V. P.