Que fazer?
Todos aprendemos na catequese que os Sacramentos da Iniciação Cristã, isto é, aqueles que fazem de nós cristãos, são o Baptismo, a Confirmação e a Eucaristia. A ordem pela qual são colocados não é arbitrária; que o Baptismo é a porta, ninguém ignora; que a ordem dos seguintes também não é arbitrária é que já não é claro para muitos. Colocado no final de 10 anos de catequese de infância e adolescência que se pretende faça crescer a fé ao mesmo ritmo do corpo, da inteligência e da socialização, o Crisma está transformado para muitos num "canudo" que se "tira", que se "faz", como maioritariamente se ouve dizer. |
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O sacramento como dom torna-se invisível e, neste
contexto, embora não só por isso, a Eucaristia muito dificilmente é apreendida na vida
de fé como o cume da existência cristã, para depois ser apreendida também como fonte
dela. Parece que o Crisma, esse sim, é a consumação, não como dom, mas como algo que
se "tira" ou "faz". Mas este não é o único problema.
Se
o crisma é o sinal do Espírito Santo como dom de Deus "pelo qual os baptizados, prosseguindo
o caminho da iniciação cristã, são enriquecidos com o dom do
Espírito Santo e se vinculam mais perfeitamente à Igreja, robustece-os e obriga-os mais
estritamente para serem testemunhas de Cristo pela palavra e pelas obras, assim como para
difundirem e defenderem a fé" (Can. 879); se o crisma é dado normalmente na idade
que temos em prática, então, parece-me claro que um aspecto central de uma catequese em
vista da preparação para o Crisma é a formação no campo dos mandamentos da Lei de
Deus, que é, de facto, o programa dos nossos catecismos do 9º ano. Ora, o que acontece
é que assistimos a uma crescente indiferença ou mesmo contestação por parte dos jovens
na idade do crisma em relação aos valores e ideais humanos que os mandamentos guardam e
defendem. Não é de espantar na cultura dominante em que vivemos. Mas não podemos
serenamente deixar correr. Com 16 anos já é possível ser sincero para dizer sim ou
não, para reconhecer se o que o Crisma me dá é ou não o que eu quero, e agir em
conformidade.
Se
a falta de sinceridade não nos incomodar, andaremos a fazer cristãos completamente
inúteis. Para que serve um cristão que conscientemente não partilha os valores humanos
fundamentais do respeito pela vida, pela família fundada no casamento, pela justiça
social fundada num estado ao serviço do bem comum e de cada um, etc., etc.? Quando um
cristão assim, de nome, servir para alguma coisa, então Nosso Senhor Jesus Cristo não
servirá para nada. Ele precisa de nós, os adultos, para olhar os jovens de frente, sem
rodeios nem paninhos quentes. É certo que com 16 anos ainda se tem muito para crescer,
mas, apesar de tudo, já alguma responsabilidade se pode esperar. Basta recordar que é a
idade a partir da qual já se responde em tribunal pelos seus actos, como qualquer adulto.