Os bispos e a crise

Para resolver o problema do défice das contas públicas, as medidas anunciadas pelo governo "ameaçam penalizar ainda mais aqueles que já são mais sacrificados, pela situação de pobreza ou de falta de trabalho, pela doença e pela desajustada carga fiscal" – denuncia a Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) sobre «Um olhar de responsabilidade e de esperança sobre a crise financeira do país». O documento, publicado há dias, refere também que não compete aos bispos pronunciar-se sobre questões técnicas de política económico-financeira mas "parece-nos oportuno relembrar alguns aspectos da doutrina social da Igreja, que devem inspirar o comportamento dos cristãos e de quantos procuram o melhor para o país".

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A situação actual necessita de realçar as "exigências do bem comum" e "a prevalência do bem de toda a colectividade sobre interesses pessoais ou corporativos". Esta busca do bem comum supõe "lucidez de discernimento e generosidade de comportamentos" – descreve o documento. Aos cidadãos é pedida ajuda na busca de soluções "quer pagando os impostos justamente distribuídos, quer empenhando-se criativa e solidariamente no implementar de soluções".
O Estado tem, "como primeira responsabilidade, administrar com rigor os bens públicos, constituídos pelo contributo de todos nós e deve fazê-lo garantindo bens essenciais, dinamizando e regulando a iniciativa criativa de pessoas e grupos" – sublinha a Nota Pastoral da CEP.

No sentido de ajudar a alterar a situação actual, a nota da CEP refere que não haverá solução "se determinados valores, como a generosidade, a criatividade e a responsabilidade do bem comum, não forem veiculados pelo sistema educativo". E adianta: "este não pode ser monopólio do Estado, mas tarefa de toda a comunidade, em que as famílias, as associações, as igrejas podem ter um papel relevante".