O Afeganistão e a lei do Corão

O novo ministro da Justiça afegão, Abdul Rahim Karimi, afirmou que a justiça continuará a ser exercida no Afeganistão segundo a «sharia», a lei do Alcorão dos muçulmanos, mas com discernimento, tendo em conta a conjuntura económica e social.

Durante os cinco anos do regime talibã, os líderes religiosos fizeram uma interpretação literal e restritiva dos textos islâmicos, multiplicando os castigos corporais e as execuções públicas.

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«Os talibãs cortavam as mãos aos ladrões. O nosso Islão é diferente – disse. Como se pode cortar a mão daquele que não tem nada para comer? É necessário alimentar e assegurar a sobrevivência da população, primeiro», declarou numa entrevista à AFP.

Em contraste com esta garantia de Karimi, um alto magistrado assegurou recentemente à agência noticiosa francesa que as execuções públicas, os apedrejamentos e as amputações continuarão a ser aplicadas no país. «Haverá algumas alterações em relação à época dos talibãs», assinalou o juiz Ullah Zarif, exemplificando: «os talibãs penduravam os corpos das vítimas em público durante quatro dias. Nós só os exporemos por um pequeno período, digamos de 15 minutos».

Ainda segundo Zarif, os adúlteros, homens e mulheres, serão apedrejados, «mas serão utilizadas pedras mais pequenas».

Quer dizer, pouco mudará na vida dos infelizes afegãos, como já se esperava.


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