Tempo de conversão
No Evangelho deste 4.º Domingo da Quaresma, Jesus diz a Nicodemos que Deus não enviou o Seu Filho ao mundo para condenar os homens mas para estes serem salvos por Seu intermédio. Para isso há que acreditar nEle e deixar as obras das trevas, convertendo-se às boas obras. Conversão no sentido bíblico é virar as costas ao pecado e voltar-se para Deus. Supõe mudança de mentalidade e de todo o interior, numa ruptura total com o pecado. Inclui o arrependimento sincero que conduz, evidentemente, à fuga das ocasiões que levam o fiel a afastar-se de Deus. |
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Deus perdoa e recebe nos Seus braços todos os que desejam mudar de vida, converter-se radicalmente e trilhar os caminhos traçados por Jesus. Na História da Igreja o que se deu com Santo Agostinho é sumamente ilustrativo e daí o influxo que o livro Confissões deste Mestre do Ocidente vem até hoje exercendo. O afastamento de Agostinho do pecado foi gradual, mas numa ascensão espiritual admirável. O Espírito Santo curou sua cegueira espiritual com o colírio de suas inspirações recebidas num coração sincero e disposto a encontrar a Verdade.
O sábio francês Pascal, por sua vez, depois que procurou as explicações científicas e a glória humana no domínio da natureza e da razão deparou com a profundidade do amor de Deus e houve uma revolução espiritual na sua vida. Pôde então vislumbrar a verdadeira relação entre os dois Testamentos: o Antigo revelaria a justiça de Deus, perante a qual todos os homens seriam culpados pela transmissão do pecado original; o Novo revelaria a misericórdia de Deus, que o leva a descer entre os homens por intermédio de seu Filho, cujo sacrifício infunde a graça santificante no coração dos homens e os redime. Na luz desta verdade afirmaria então que sem Cristo o homem está no vício e na miséria; com Cristo, está na felicidade, na virtude e na luz. Processou-se deste modo uma metamorfose completa e ele se inundou numa alegria profunda ao deparar com a misericórdia e a bondade do Todo-Poderoso.
M. V. P.