A propósito da confissão

O Novo Testamento diz-nos que, quando João Baptista estava a baptizar no rio Jordão, vinham pessoas de todos os lados e de todas as classes e confessavam publicamente os seus pecados.

S. João Evangelista escreve na sua primeira carta, que faz parte do Novo Testamento, o seguinte:

"Se dissermos que não temos pecados, somos mentirosos e enganamo-nos a nós mesmos. Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar e purificar de toda a iniquidade".

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Cristo exerceu, durante a Sua vida pública, o poder de perdoar os pecados e deu esse poder aos Apóstolos: "Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados, a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos".

A confissão dos pecados graves faz parte das tradições ancestrais de muitos povos. Este é um daqueles fenómenos culturais, dizem-nos os missionários, que escapam à observação fácil, mas que surpreende pela sua divulgação universal. Este costume ou prática pode-se encontrar em todas as latitudes e nos mais variados géneros e estádios de cultura.

A Igreja sempre teve em grande estima a confissão dos pecados, chegando-se ao exagero de os pregadores ensinarem, em algumas épocas, que as pessoas deviam fazer muitas confissões e poucas comunhões. Hoje o exagero é ao contrário: há muita gente a comungar que pouco ou nada se confessa. "Confesso-me a Deus!" – dizem. Mas como conciliar isto com o poder que Cristo deu aos Apóstolos de perdoar os pecados: "Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados..."?

Nos termos da doutrina da Igreja "a confissão individual e íntegra e a absolvição constituem o único modo ordinário pelo qual o fiel, consciente de pecado grave, se reconcilia com Deus e com a Igreja" (D. C. – cânone 961 § 1)

Se, em casos graves, houver absolvições gerais sem a confissão individual, a pessoa fica absolvida mas terá de confessar os pecados graves quando tiver oportunidade.