A confissão dos pecados
| Quando éramos crianças, aprendemos que
nos devíamos confessar ao menos uma vez cada ano. Porém muita gente hoje dispensa-se de
receber este sacramento. Foi com agrado que lemos que em 2005 os confessionários
da Cova da Iria bateram o recorde de afluência dos últimos cinco anos. Segundo dados revelados pela reitoria do Santuário, o sacramento da reconciliação foi procurado por 187 122 pessoas, só no ano passado. Este índice de confissões foi o mais alto desde o ano 2000, verificando-se um aumento de 10 824 crentes confessados em relação a 2004. Dizem-nos os Evangelistas que, quando João Baptista estava a baptizar no rio Jordão, vinham pessoas de todos os lados e de todas as classes e confessavam publicamente os seus pecados. Sabemos que a confissão dos pecados graves faz parte das tradições ancestrais de muitos povos. Este é um daqueles fenómenos culturais, dizem-nos os missionários, que escapam à observação fácil, mas que surpreende pela sua divulgação universal. Este costume ou prática pode-se encontrar em todas as latitudes e nos mais variados géneros e estádios de cultura. |
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Nesses povos, a matéria mais comum de confissão são os actos contra a comunidade (assassínio, magia, adultério e roubo), as transgressões sexuais, a infidelidade às tradições e a quebra de tabus. A confissão funciona como um entre os vários elementos ou exercícios destinados a lidar com a culpa, sair dela e evitar os males que ela traz. O Novo Testamento diz-nos que Cristo exerceu, durante a Sua vida pública, o poder de perdoar os pecados e deu esse poder aos Apóstolos.
Durante os primeiros séculos, a reconciliação dos cristãos, que tinham cometido pecados particularmente graves depois do Baptismo (por exemplo: a idolatria, o homicídio ou o adultério), estava ligada a uma disciplina muito rigorosa, segundo a qual os penitentes tinham de fazer penitência pública pelos seus pecados, muitas vezes durante longos anos, antes de receberem a absolvição.
Durante o século VII, inspirados pela tradição monástica do Oriente, os missionários irlandeses trouxeram para a Europa continental a prática privada da penitência que não exigia a prática pública e prolongada de obras de penitência, antes de receber a reconciliação com a Igreja. O sacramento processa-se a partir de então, de uma forma mais secreta, entre o penitente e o sacerdote.