Concílio foi há quarenta anos

No dia 11 de Outubro de 1962 o Papa João XXIII presidia à sessão solene de início dos trabalhos do Concílio Ecuménico Vaticano lI, que ele próprio tinha convocado. A visão de futuro do bom Papa João fazia abrir à Igreja novas e inesperadas perspectivas de vida interna, novas capacidades de relacionamento com o mundo e novos caminhos de interpretação da vida e da história dos homens. Sob o signo do aggiornamento (ou actualização) no que se refere à vida interior da Igreja, e sob o signo do diálogo e da presença no que se refere às relações com um mundo em rápida transformação de cultura e mentalidades, o Vaticano II tornou-se num dos maiores acontecimentos mundiais do século XX.

Quarenta anos é muito tempo porque o mundo mudou muito e, por isso, é provável que um novo Papa tenha de convocar outro.

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Para D. Eurico Dias Nogueira, um dos poucos bispos portugueses ainda vivos que participaram no Concílio Vaticano II, há três questões fundamentais que terão obrigatoriamente de ser abordadas: o reforço da colegialidade, avanços efectivos no ecumenismo e uma aposta séria no diaconado permanente.

Mas há outras questões que o prelado considera obrigatórias: o celibato dos sacerdotes e a aceitação das mulheres no presbiterado.

Quanto à primeira, D. Eurico considera que, "mais década menos década, a Igreja Católica virá permitir que o padre opte pelo celibato ou pelo casamento".

Quanto à questão das mulheres poderem vir a ser ordenadas, entende que se trata de um problema bastante mais complicado. "Há aqui questões teológicas de natureza dogmática que não é fácil ultrapassar, como o facto de Cristo não ter escolhido nenhuma mulher para o grupo dos apóstolos. No entanto, estou convencido que, no futuro, os teólogos terão de encontrar uma solução para o caso", sublinhou o antigo Bispo de Braga.