Castigos físicos

 

Muito se escreveu e disse já sobre a polémica  sentença do  Supremo Tribunal de Justiça que  considerou "lí­citas" e "aceitáveis" as pal­madas e estaladas aplicadas por uma responsável de um lar de Setúbal a crianças com deficiências mentais.     

        Anteriormente o tribu­nal de Setúbal tinha conde­nado a mulher, com pena suspensa, por apenas um caso, o de ter amarrado por duas vezes os pés e as mãos de um menino de sete anos para evitar que este saísse da cama e a acordasse.

        Na altura, o Ministério Público recorreu da decisão para o Supremo, que agora diz que fechar crianças em quar­tos é um castigo normal de «um bom pai de família» e que as estaladas e as palma­das, se não forem dadas, até podem configurar «negli­gência educacional».

        

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As reacções de desagrado têm sido muitas, sobressaindo a  da Associação Portuguesa de Deficientes que disse ir fazer tudo para conseguir a anulação da referida sentença.   

         Também eu quero intervir neste debate pois acho que é um assunto que vale a pena reflectir. Tenho ouvido a pessoas particulares opiniões diversificadas – desde o apoio com louvor até ao repúdio forte. Por mim acho que tal prática punitiva é muito perigosa e gostaria que os juizes que lavraram a dita sentença tivessem acautelado mais o futuro relacionamento dos educadores com as crianças que lhes estão confiadas. É que uma coisa são os castigos, outra bem diversa a punição violenta.      

          Fui educado numa família numerosa onde nunca fui vítima de maus tratos por palavras ou actos e é sempre com  mágoa que vejo pais e mães a usarem de alguma violência verbal ou física.  Pior ainda se essa violência vier de outros educadores.

          Concordo que um pai e uma mãe têm que usar por vezes do castigo para ajudar a corrigir os filhos mas tudo o que é excessivo acaba por produzir efeitos contrários. Os gestos de ternura valem na maior parte dos casos muito mais que qualquer castigo excessivo. E acho que bofetões ou palmadas  devem ser totalmente banidos. Assim como palavrões e gritos histéricos. Se os pais usam estes métodos em casa, então os que intervêm na educação de menores vão ter dificuldades maiores em serem ouvidos se os não usarem. Mas a lei tem que continuar a proibi-los. Para que não haja abusos.

                                                                                                                          M. V. P.