Casa onde não há pão...

Fui um dos que pensei que a situação das finanças portuguesas estaria mal mas não tanto como certos políticos da antiga oposição diziam na campanha eleitoral. Afinal os políticos dizem tanto mal uns dos outros!...

Pois desta vez enganei-me. A situação é de tal modo que é preciso apertar mesmo o cinto. Assim o veio dizer Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal, pessoa insuspeita pois até pertence declaradamente ao Partido Socialista de quem já foi Secretário Geral.

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Mais! Este político veio dizer que os cortes do novo orçamento não vão ser suficientes e que para o ano tem de haver ainda maior contenção nas despesas.

Perante tal estado de coisas, só parece haver uma saída para que o Governo possa concretizar as medidas anunciadas: reduzir efectivamente os gastos, o que vai levantar uma onda de protestos por todo o país.

Sabe-se já que os contratos a prazo caducarão, findo o período de validade. E não vão ser poucos! O cenário não é nada agradável, porque põe a Função Pública debaixo de fogo.

Vai haver desemprego considerável e o abalo social irá trazer ao país, e já começaram, grandes manifestações de rua por parte dos sindicatos.

Mas as coisas são como são, todos sabem disso muito bem, e o Estado não pode continuar a manter ao seu serviço 14,2 por cento da população activa. Algo terá que ser feito, pois a Comunidade Europeia está atenta e, se Portugal não cumprir, as coisas ainda vão ser piores. Quem vai ter de apertar ainda mais o cinto são os mais pobres e os que estão à procura do primeiro emprego.

Não seria pedir demais aos políticos que em vez de andar a gritar uns contra os outros, em acusações mútuas, se sentassem a uma mesa e vissem a melhor forma de sair desta situação.

M. V. P.