RAMOS QUE HÃO-DE CRESCER

Voltemos às Parábolas Evangélicas referidas no início desta Carta, de modo particular à árvore que surgiu do grão de mostarda. Transformando a parábola em significativa alegoria, proponho alguns ramos que urge cuidar, isto é, alguns sectores da pastoral que nos merecem particular atenção.

Os jovens. A nossa pastoral juvenil, que supõe o diálogo com a escola, é prioritária. Têm-se verificado nela alguns passos significativos, mas chegou a hora de muito mais gente se empenhar nesta acção: pais e professores, párocos e assistentes, paróquias, movimentos e religiosos, todos daremos as mãos, para, com os próprios jovens, garantirmos na Diocese, particularmente nas suas cidades e na sua principal Universidade, uma pastoral juvenil dinâmica e atraente.

A família. Uma análise sociológica elementar aponta as famílias dos nossos concelhos menos citadinos, onde se situam ainda cerca de 300 mil habitantes, como famílias sãs. Todavia, as influências chegaram e as alterações já se acentuam. Apoiar a família, no campo ou na cidade, é urgente.

Os homens e mulheres de cultura. Não é só a secular Universidade que torna Coimbra um centro de intercâmbio cultural. Outras Universidades e grandes Institutos Politécnicos, os meios hospitalares, os polos de intenso turismo, os constantes colóquios científicos... São outras tantas realidades que provocam em nós uma pergunta: Estará o Evangelho como luz elevada, capaz de iluminar toda esta actividade superior?

Iniciativas de diálogo e intercâmbio serão o caminho, talvez humilde mas já aberto, para que a fé cristã não se recolha às igrejas e ao foro individual.

Os mal amados. Temos na Diocese algumas instituições de serviço social que muito nos honram. E não podemos esquecer que Coimbra foi berço de autênticos génios de caridade, em décadas do século que findou. Desdobram-se as paróquias em centros de serviço social, votados sobretudo ao acolhimento de crianças e idosos.

Mas quem não anda preocupado com as novas situações de pobreza que se multiplicam entre nós? Sem minimizar o que se faz, havemos de nos alertar para o que importa fazer.

Os membros de movimentos apostólicos. Numa cidade universitária e numa região do centro do País, as associações e os movimentos apostólicos implantam-se com natural facilidade.

E são bem vindos. Esperamos que saibamos todos conseguir uma integração concorde e harmoniosa, de que resultem maiores frutos.

Os cristãos chamados à consagração. Repetidamente temos ouvido que Deus não falta com vocações de consagração. Se assim é, então havemos de nos penitenciar, por não termos proporcionado condições para esse chamamento divino, que Deus faz através da Igreja.

D. Albino – In Carta Pastoral

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