Ainda a Caridade

«No seu hino à caridade (cf. 1 Cor 13), São Paulo ensina-nos que a caridade é sempre algo mais do que mera actividade: « Ainda que distribua todos os meus bens em esmolas e entregue o meu corpo a fim de ser queimado, se não tiver caridade, de nada me aproveita » (v. 3). Este hino deve ser a Magna Carta de todo o serviço eclesial; nele se encontram resumidas todas as reflexões que fiz sobre o amor, ao longo desta Carta Encíclica. A acção prática resulta insuficiente se não for palpável nela o amor pelo homem, um amor que se nutre do encontro com Cristo» - escreve o Papa.

Perante a excessiva vastidão das necessidades do nosso mundo e as nossas fracas possibilidades, não há que desanimar. Façamos o que está ao nosso alcance e confiemos o resto ao Senhor. Somos apenas um instrumento nas Suas mãos.

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«A experiência da incomensurabilidade das necessidades pode, por um lado, fazer-nos cair na ideologia que pretende realizar agora aquilo que o governo do mundo por parte de Deus, pelos vistos, não consegue: a solução universal de todo o problema. Por outro lado, aquela pode tornar-se uma tentação para a inércia a partir da impressão de que, seja como for, nunca se levaria nada a termo. Nesta situação, o contacto vivo com Cristo é a ajuda decisiva para prosseguir pela justa estrada: nem cair numa soberba que despreza o homem e, na realidade, nada constrói, antes até destrói; nem abandonar-se à resignação que impediria de deixar-se guiar pelo amor e, deste modo, servir o homem» - continua Bento XVI.

E o Papa detém-se depois na necessidade da oração. «Quem reza não desperdiça o seu tempo, mesmo quando a situação apresenta todas as características duma emergência e parece impelir unicamente para a acção. A piedade não afrouxa a luta contra a pobreza ou mesmo contra a miséria do próximo.» E apresenta o exemplo da Beata Teresa de Calcutá que passava muitas horas em oração, não descurando por isso o seu trabalho de ajuda aos pobres. Era a oração que lhe dava forças para continuar o seu incansável trabalho para com os mais abandonados dos homens.

E o sucessor de Pedro alerta, por fim, para os perigos do activismo sem uma união profunda com o Pai de Jesus Cristo que nos ajuda a superar as nossas fraquezas e impaciências.

                                                                                                                                                                                                  M. V. P.