Caricaturas
| Nos últimos dois números falei aqui do
fundamental da ética cristã que é o amor. E penso que o que se tem passado nos últimos
tempos, no que diz respeito aos "cartoons" dinamarqueses, evidencia que tudo
seria diferente se todos nos regêssemos pela ética do amor. Infelizmente, isso não se
passa assim e já morreram pessoas e irão morrer mais por causa de umas famigeradas
caricaturas. De um lado estão aqueles que acham que a liberdade lhes dá permissão de ofender tudo e todos, mesmo o que outros acham de mais sagrado. Como dizia um político português bem conhecido, a ética é o respeito pela lei. O que vai além disso digo eu para muitos não passa de fundamentalismo ou velharias. Esquecem que não gostariam que fizessem o mesmo às suas ideias e sentimentos. |
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Do outro lado está todo o mundo islâmico, que se sente vítima de ingerências no seu modo de viver e sentir o mundo. As reacções que vimos nestes povos atingiram níveis emocionais perigosamente desproporcionados, mas de certo modo compreensíveis, se tivermos em conta o contexto político em que se processam hoje as relações entre o mundo ocidental e o mundo islâmico. Curiosamente, os maiores críticos de George Bush, sobre a sua pretensão de introduzir à força no mundo muçulmano um conceito de democracia que lhe é estranho, são eles mesmos os que agora estranham que os islâmicos não aceitem o conceito de liberdade de expressão que lhes querem impor. Para além de ingenuidade, é um erro fatal.
Esquecem-se de que a moral do islão não é o amor e o perdão, como a do cristianismo. Dificilmente alguma vez eles irão aceitar impunemente, que se ridicularize o seu Profeta como fez com Cristo Guerra Junqueiro, em 1885, em A velhice do Padre Eterno, ainda por cima emoldurada com desenhos ultrajantes de Cristo. E exemplos semelhantes abundam hoje.
M. V. P.