Amor de cão
| Há uma expressão portuguesa e não sei se
também empregue noutras culturas que castiga as pessoas ingratas ou incapazes de amar
comparando-as aos cães. Mas o caso que veio nos jornais, há dias, põe em relevo a
capacidade que alguns animais têm de superar muitas pessoas na protecção e carinho de
vidas inocentes. Uma bebé de apenas duas semanas foi abandonada numa zona de floresta próxima de Nairobi, Quénia. Rejeitada pela mãe, teve a sorte de ser encontrada e acarinhada por uma cadela, que pegou no saco plástico que a envolvia e a transportou para a toca onde guardava os seus cachorros recém-nascidos. Salva pela cadela, que a descobriu quando procurava comida, a bebé foi depois encontrada e levada para o hospital por Mary Adhiambo. A dona da cadela explicou que foram os seus filhos que ouviram o choro da menina. "Deparei com o meu cão deitado de forma protectora junto da bebé, envolvida num trapo velho", afirmou Adhiambo. |
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As enfermeiras que a tratam, no Hospital Nacional Kenyatta, chamaram-lhe Angel (Anjo), e garantem que está de boa saúde, apesar das privações por que passou durante pelo menos dois dias de abandono na floresta. As enfermeiras revelaram ainda que Angel tinha larvas no cordão umbilical quando deu entrada no hospital.
A onda de violência e morte gratuita que se está a espalhar pelo mundo e de que os meios de comunicação, todos os dias, nos dão conta, é a confirmação de que o mundo dos homens se está a desumanizar assustadoramente. Mundo cão, diz-se. Mas pelo que se vê, os cães têm mais ternura pelas crianças do que muitas pessoas.
Se uma mãe ou pai chega ao ponto de matar o filho, como se tem visto volta e meia, e isto não por problemas psíquicos mas por crueldade, podemos dizer que se chegou a um ponto cujo regresso vai ser difícil. As leis permissivas contra a vida humana, mesmo ainda no ventre materno, não auguram nada de bom.
O lema da Semana da Família «Respeita o outro, diz não à violência» de 15 a 22 de Maio não podia ser mais oportuno.
M. V. P.