Dúvidas de leitores

Podemos confiar na Bíblia?

Temos que confiar no que é digno de fé. Assim procedemos normalmente na vida do dia a dia. Sobretudo quando há sérias provas de que quem escreveu o fez com seriedade.

Ora os Apóstolos foram pelo mundo pregar uma série de coisas que diziam que Jesus lhes tinha ensinado. E afirmavam que tinha sido o mesmo Jesus Cristo a enviá-los pelo mundo para lhe fazer discípulos. E todos foram mortos de modo cruel, sem que algum tenha renegado esse mandato do Mestre.

E não se limitaram a pregar o Evangelho oralmente. Alguns puseram por escrito os ensinamentos de Cristo. Outros arranjaram discípulos que o fizessem. A esse conjunto de pequenos livros e cartas deu-se o nome de Novo Testamento.

Desde cedo, estes escritos ou porções deles foram lidos nas Assembleias cristãs, conjuntamente com outros excertos do Antigo Testamento. E os cristãos habituaram-se a venerá-los e a tomá-los a sério.

Primeiro, foram, naturalmente, compostos escritos fragmentários, que divulgaram palavras e sentenças de Jesus (as Logias). Com o correr do tempo, surgiram outros, mais cuidados e ampliados, que assinalavam factos, milagres, acontecimentos da vida do Mestre, conjuntamente com os Seus ensinamentos.

Mas nem todos esses escritos ficaram na Bíblia. Uns porque exageravam nos pormenores relatados e que não eram verosímeis. Outros porque queriam transmitir ensinamentos que contradiziam o ensino dos Apóstolos. Neste caso, ainda há pouco os meios de comunicação nos deram conta da tradução do «Evangelho de Judas» há anos encontrado, cujo objectivo era ensinar que o apóstolo traidor foi o que melhor cumpriu a vontade de Jesus, seu mestre.

Uma coisa interessante é que ainda hoje todas as Igrejas ditas cristãs – Católica, Ortodoxas, Protestantes e outras – têm os mesmos livros no Novo Testamento nas suas Bíblias.

Como em nenhum livro da Bíblia se diz ou define quais os que a ela pertencem ou não, temos de acreditar que foi o Espírito Santo que orientou os cristãos dos primeiros séculos na selecção dos livros inspirados.

Os critérios que presidiram à sua inclusão foram os seguintes:

  1. Merecerem a aceitação consensual de toda a Igreja;
  2. Apresentarem coerência doutrinal que denotasse a inspiração divina;
  3. Serem seus autores os Apóstolos ou seus mandatários.

M. V. P.