Ano novo

Começámos mais um novo ano. O que passou deixou muitas sombras negras: desemprego, pobreza, fome, doenças e epidemias agravadas pelas condições de miséria, guerras, conflitos armados. E como se não bastasse, o aumento dos crimes contra pessoas e bens.

Segundo o relato dos meios de comunicação já oito crianças morreram vítimas de violência infligida por familiares desde 2003, só em Portugal. Fora as que foram abandonadas ou maltratadas.

O número de homicídios tem disparado. A violência, física e sexual, afecta 223 milhões de menores de 18 anos, dois terços dos quais raparigas, sendo que 1,8 milhões são forçados a prostituírem-se.

Amargura-nos a consciência de impotência que sentimos perante essas duras realidades. Mas o derrotismo e o pessimismo não constróem. Por isso mantenhamos a esperança de que havemos de caminhar para um mundo mais humano. Um mundo em que a guerra, o terrorismo e toda e qualquer forma de violência – física, psicológica, moral – irão perdendo terreno; em que o fosso entre ricos e pobres irá diminuindo; de que a fome, a doença e qualquer outro flagelo imposto pelo homem serão banidos; em que os mais desfavorecidos merecerão mais atenção; em que as crianças poderão ser plenamente crianças; em que virtudes como o amor, a tolerância, a fraternidade se irão impondo... E não pensemos que isto é irrealismo. A esperança cristã diz-nos que o mal não levará a melhor. Deus está connosco. Em muitos aspectos o mundo tem evoluído num sentido positivo. Basta lembrar-nos da maior sensibilidade pelos direitos humanos, a atenção maior de pessoas e instituições aos mais pequenos e indefesos, o crescimento económico de grande parte do mundo.

Problemas há e sempre haverá mas é preciso acreditar que está ao nosso alcance fazer com que o ano presente seja melhor que o anterior.

Se Deus é bom e nunca nos abandona, então, quaisquer que sejam as dificuldades – se o mundo tal como o vemos está tão longe da justiça, da paz, da solidariedade e da compaixão – para os crentes esta não é uma situação definitiva. É possível inverter as coisas. Como a própria história ensina.

                                                                                                                                                                             M. V. P.