"Fome em Angola: urgência de caridade"
Campanha rendeu um milhão de euros
O presidente da Cáritas Portuguesa informou na passada semana que o milhão de euros recolhido na campanha de solidariedade com Angola já foi parcialmente aplicado, como estava previsto.
Em declarações à Agência Lusa, Eugénio da Fonseca mostrou-se muito satisfeito com os resultados da campanha "Fome em Angola: urgência de caridade", promovida pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).
Disse também que o resultado final da campanha, que ainda não está totalmente apurado, «ainda poderá render ligeiramente».
As razões do atraso da contabilidade dos números finais devem-se à autonomia das várias estruturas diocesanas que recolheram os fundos mas ainda não fizeram chegar o dinheiro a Cáritas Portuguesa, explicou.
Para Angola já foram vários carregamentos de enxadas, catanas e bens de primeira necessidade, bem como quatro contentores com roupa, tendo sido adquiridos naquele país alimentos mais baratos do que em Portugal.
«Procuramos comprar onde era mais barato», justificou Eugénio Fonseca, salientando que o dinheiro da campanha ainda não foi todo gasto para evitar desperdícios de uma «pressa desmedida».
«Não queremos comprar produtos que não tenham garantias de chegar às populações ou possam passar do prazo de validade», já que todo o trabalho de distribuição está a ser feito de forma gratuita pela Cáritas e nas igrejas de Angola.
A prioridade da campanha é agora apoiar o «regresso das pessoas a suas casas», tendo sido deixados alimentos nas zonas do interior, que estão isoladas durante o período das monções.
«Depois de termos socorrido aquilo que era mais urgente, agora é a Igreja angolana que nos vai pedindo conforme precisar», afirmou Eugénio da Fonseca, considerando que as verbas recolhidas serão totalmente esgotadas nos próximos meses.
O presidente da Cáritas Portuguesa admitiu, entretanto, que ainda existem «alguns preconceitos, se calhar com razão, contra apoios a países como angola, onde alguns dirigentes estão excessivamente ricos».
Muitos portugueses «não têm garantias que a sua ajuda chegue efectivamente às pessoas», afirmou, reconhecendo que o balanço da iniciativa é, apesar disso, positivo, porque atingiu valores muito elevados quando comparados com outras campanhas do género, da iniciativa da sociedade civil.