| Álcool mata milhares "A sociedade portuguesa é demasiado tolerante em relação ao consumo de álcool, o que dificulta o combate a este problema de consequências sociais nefastas", alertaram médicos reunidos há pouco em Miranda do Douro. O consumo excessivo de álcool em Portugal constitui, para além de uma das maiores causas de mortalidade no nosso país, uma das maiores causas de doença psicossocial. Portugal figura, desde 1996, como o maior consumidor mundial de álcool per capita, estimando-se existirem um milhão e oitocentos mil bebedores excessivos, dos quais 800 mil serão dependentes. O consumo excessivo de álcool no nosso país é uma das maiores causas de mortalidade na população entre os 16 e 74 anos, de mortalidade rodoviária, de criminalidade e de violência doméstica. |
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Nos estudos internacionais, Portugal surge habitualmente nos lugares cimeiros quer ao nível de consumo do álcool como nas suas consequências, encabeçando tabelas em número de mortes por cirrose hepática e por acidentes na estrada.
A situação assume particular gravidade quando, apesar dos objectivos traçados pela organização Mundial de Saúde para a Europa, de redução em 25% dos consumos de álcool, em Portugal eles continuam a aumentar enquanto noutros países se verificam reduções significativas.
Há seis anos foi aprovada em Paris a Carta Europeia sobre o Álcool. É um documento que compromete os governos signatários a promoverem campanhas de informação sobre as consequências do álcool na saúde, na família e na sociedade; a tomarem medidas para o controlo efectivo da venda de bebidas, designadamente aos jovens; a proibirem a ligação do álcool a espectáculos e acontecimentos desportivos; a responsabilizarem vendedores e publicitários; a desencorajarem a condução sob o efeito do álcool; a assegurarem o tratamento e a reabilitação dos alcoólicos.
O Governo português assinou. Só que até agora nada foi posto em prática. É o deixa-andar do costume, que constitui a marca mais forte deste governo.
M. V. P.
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