Ainda o aborto

A propósito do julgamento de algumas mulheres acusadas da prática do aborto, alguns políticos e jornalistas fizeram aproveitamento das "vítimas" desta falta de "liberdade de matar."

João César das Neves escreve no "Diário de Notícias": "De facto, esta é a forma mais antiga e descarada de manipulação. Não há dúvidas sobre a realidade e o dramatismo do sofrimento das pessoas envolvidas. Mas também ninguém duvida de que a sua dor está a ser usada com propósitos políticos, para promover interesses e agendas particulares".

E mais à frente escreve: "Nunca ninguém se lembraria de pedir a despenalização do assassínio ou do roubo só porque há casos de pessoas desesperadas que os cometem em situações que nos parecem justificáveis.

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Porque é que o mesmo raciocínio é válido no aborto ? Abortar é matar uma criança indefesa antes sequer de lhe ver a cara. É um acto abominável, que todas as culturas em todos os tempos sempre repudiaram, por mais pungentes que fossem as circunstâncias. Devemos evitá-lo, combatê-lo, lamentar e ajudar as mães que caíram nessa horrível prática. E repudiar o acto ainda mais veementemente por causa do seu sofrimento".
"Ninguém deve ignorar esta horrível realidade, que merece todo o respeito e atenção. Devemos ser incansáveis na sua prevenção, amparo e suporte. Só que, aquando da sua descrição pública, processa-se uma subtil mudança de assunto. Do dramatismo, o político ou o jornalista deduz e propõe, subrepticiamente, a solução que lhe interessa, escondendo o raciocínio no meio da dor. O seu propósito é muito diferente da aparência e pouco tem, de facto, a ver com a vida daquelas pessoas concretas. Mostra o mal, mas como se ele justificasse automaticamente a proposta particular de cura que defende. E que perpetua esse mal. O que pretende não é ajudar as vítimas. É vender uma lei, ganhar pontos na luta partidária".
Quando vemos o que acontece em alguns países e até já no nosso (a foto que inserimos é eloquente), a falta de respeito pela vida, com a morte ou abandono de crianças, devemos pensar que a solução dos dramas do aborto não está em permiti-lo, com a consequente insensibilidade perante os atentados às vidas indefesas, mas na ajuda a essas mães que por qualquer motivo não podem ou não querem ter um filho. Dar o filho para adopção seria muitas vezes uma solução boa para a mãe e para a sociedade, que hoje até tem muitos idosos e poucas crianças.

                                                                                                                                      M. V. P.


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